Campo de concentração Sachsenhausen-Oranienburg
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Cinco dias
O meu amor esteve por terras germânicas nos últimos cinco dias.
Começa agora a saga de fotos que tirámos.
MYA,
Mónica
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Israel vs. Palestina
Nas últimas duas semanas a minha professora de Identity, Nacionalism and Conflict convidou os embaixadores de Israel e da Palestina para nos explicarem o que se passa por lá e em que pé está o conflito começado a meio do do século XX.
Como embaixadores, e também diplomatas, contávamos com opiniões e discursos politicamente correctos.
Israel não falhou esse ponto. Já a Palestina optou pela sinceridade.
Na semana passada, o embaixador Emmanuel Nahshon mostrou que quando o assunto roçava a identidade nacional dos palestinianos, talvez houvesse uma hierarquia relativa. Discretamente, deu a entender que, apesar de pertencer ao povo que, de certa forma, invadiu e ocupou um território, tinham e têm mais direito a lá estar. Rodeou bastantes perguntas, dando uma opinião geral e, como já referi, bastante política.
Mas tocou num ponto interessante: o muro ou rede que cerca Israel. "I've seen more dead bodies than a person should see", começou. Contou-nos como, antes da construção da barreira, muitos palestinianos invadiam o país, aramdilhados, entrando em restaurantes, autocarros e comboios e matando centenas de pessoas. "How can you just go to work when you know, somewhere in a bus or a train, there're your kids right next to a suicide-bomber?". Consta que antes da cerca (que fechada 98% do território israelita) e do muro (os restantes 2%) morreram mais de mil pessoas só por ataques suicidas. Desde a sua construção, não há relatos de nenhum ataque bombista vindo de fora.
Já a Palestina foi representada pela embaixadora Khouloud Daibes. O discurso foi simplesmente fascinante. A Dr. Daibes afirmou desde o início estar ali como palestiniana e não como política. Não ia tentar converter-nos, ia apenas contar a sua história. Tendo a filha, de 18 anos e aluna de Ciência Política na FU Berlin presente, acabou por pedir à filha que contasse como é a vida de uma jovem palestiniana que mora em Jerusalém e anda na escola em Bethlehem. Dana explicou-nos que, por viver em Jerusalém, os seus amigos nunca puderam visitar a sua casa, pois a maioria dos palestinianos não visitou nem pode visitar a cidade sagrada. Que para vir à Europa, tinha de atravessar a fronteira para a Jordânia ilegalmente ou pedir um visa israelita, o que a impediria de visitar a maioria dos países árabes. Mas o mais impressionante foi ela explicar que chegava a ficar retida entre cidades palestininas por mais de três hora quando voltava para da escola. E porquê? Porque os soldados israelitas dos checkpoints estavam "in a bad mood". O normal era sair à rua sempre com o passaporte e rezar para que não fosse retida em qualquer rua. Que não a "confiscassem". Ver soldados mais novos que ela com armas nas mãos e saber que só a sua existência podia dar asas a que disparassem.
Vir para a Alemanha "foi libertador". "I felt freedom and security for the first time".
Fica no ar: solução com um ou dois Estados? Poderá a Dana sentir-se na Palestina como na Alemanha? Estará correcta esta perseguição do povo judeu ao povo palestiniano, depois do que passaram às mãos da Alemanha Nazi? E a comunidade internacional? Não deveria já ter tomado uma posição séria? Poderá o "muro" de Israel cair brevemente?
Passados 20 anos sobre o Acordo de Oslo a situação mantém e perdem-se vidas todos os dias.
Como embaixadores, e também diplomatas, contávamos com opiniões e discursos politicamente correctos.
Israel não falhou esse ponto. Já a Palestina optou pela sinceridade.
Na semana passada, o embaixador Emmanuel Nahshon mostrou que quando o assunto roçava a identidade nacional dos palestinianos, talvez houvesse uma hierarquia relativa. Discretamente, deu a entender que, apesar de pertencer ao povo que, de certa forma, invadiu e ocupou um território, tinham e têm mais direito a lá estar. Rodeou bastantes perguntas, dando uma opinião geral e, como já referi, bastante política.
Mas tocou num ponto interessante: o muro ou rede que cerca Israel. "I've seen more dead bodies than a person should see", começou. Contou-nos como, antes da construção da barreira, muitos palestinianos invadiam o país, aramdilhados, entrando em restaurantes, autocarros e comboios e matando centenas de pessoas. "How can you just go to work when you know, somewhere in a bus or a train, there're your kids right next to a suicide-bomber?". Consta que antes da cerca (que fechada 98% do território israelita) e do muro (os restantes 2%) morreram mais de mil pessoas só por ataques suicidas. Desde a sua construção, não há relatos de nenhum ataque bombista vindo de fora.
Já a Palestina foi representada pela embaixadora Khouloud Daibes. O discurso foi simplesmente fascinante. A Dr. Daibes afirmou desde o início estar ali como palestiniana e não como política. Não ia tentar converter-nos, ia apenas contar a sua história. Tendo a filha, de 18 anos e aluna de Ciência Política na FU Berlin presente, acabou por pedir à filha que contasse como é a vida de uma jovem palestiniana que mora em Jerusalém e anda na escola em Bethlehem. Dana explicou-nos que, por viver em Jerusalém, os seus amigos nunca puderam visitar a sua casa, pois a maioria dos palestinianos não visitou nem pode visitar a cidade sagrada. Que para vir à Europa, tinha de atravessar a fronteira para a Jordânia ilegalmente ou pedir um visa israelita, o que a impediria de visitar a maioria dos países árabes. Mas o mais impressionante foi ela explicar que chegava a ficar retida entre cidades palestininas por mais de três hora quando voltava para da escola. E porquê? Porque os soldados israelitas dos checkpoints estavam "in a bad mood". O normal era sair à rua sempre com o passaporte e rezar para que não fosse retida em qualquer rua. Que não a "confiscassem". Ver soldados mais novos que ela com armas nas mãos e saber que só a sua existência podia dar asas a que disparassem.
Vir para a Alemanha "foi libertador". "I felt freedom and security for the first time".
Fica no ar: solução com um ou dois Estados? Poderá a Dana sentir-se na Palestina como na Alemanha? Estará correcta esta perseguição do povo judeu ao povo palestiniano, depois do que passaram às mãos da Alemanha Nazi? E a comunidade internacional? Não deveria já ter tomado uma posição séria? Poderá o "muro" de Israel cair brevemente?
Passados 20 anos sobre o Acordo de Oslo a situação mantém e perdem-se vidas todos os dias.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Ao meu príncipe
Há 21 anos, com exactamente 21 anos, a tua mãe trouxe-te ao mundo. Foste
uma das maiores bênçãos de sempre na tua família. E 10 anos depois foste a
maior descoberta da minha vida.
O teu orgulho e a tua teimosia fazem com que não peças ajuda mesmo quando
sabes que precisas. Achas que as coisas valem mais quando as conquistas depois
de falhares mil vezes, principalmente se conseguires à milésima primeira
tentativa. Pode não parecer para o resto do mundo, mas não me fazes as vontades
todas. Claro que leva a muita discussão e a muita gritaria. Não somos
perfeitos, nem lá perto. Mas adaptámo-nos um ao outro desde o início. “Se
alguém de fora se vai meter pelo meio, isto não vai dar certo!”. Deve ter sido
das primeiras conversas “sérias” que tivemos, mas ficaram os pontos nos I’s e
começámo-nos a entender.
Não foi fácil. Não és propriamente a pessoa mais faladora à face da Terra.
Guardas tudo para ti, não desabafas e quando chegas ao teu limite, disparas em
todas as direcções. Quando estás mal, escondes-te no teu mundo e não pensas
duas vezes se vais magoar os que te são mais próximos. Mas consegues compensar
qualquer coisa quando estás em pleno.
E em breve vais estar! Sei que estes últimos meses tem sido um martírio
para ti, que a tua família tem levado com todo o teu mau feitio e que não vais
ter com os teus amigos porque te fazem lembrar de mim. Mas também sei que se
precisares, eles vão lá estar.
Posso dizer aqui que és das melhores pessoas do mundo. Só não fazes pelos
teus aquilo que não consegues. E mesmo assim tentas ao máximo. Não te metes em
problemas e os teus amigos só ouvem de ti a verdade, custe ela o que custar.
Nunca lhes disseste que “não”, quando podias. Chegas, inclusive, a levantar-te
bem cedo só para lhes cortares o cabelo!
As pessoas não fazem a mínima ideia do quão especial tu és. Do quanto te
esforças nas alturas certas por me surpreender. Por me trazeres ao de cima
quando eu não estou no meu melhor. Por me fazeres feliz. És das poucas pessoas
que me enfrenta e quem nos conhece sabe que isso deve ser das coisas mais
difíceis de se fazer. Mas tu não desistes. Discutes e gritas comigo até eu ver
que estou errada. Ou até eu te mostrar que não estás certo. És tu que estás ao
meu lado e me dizes “Não devias ter dito isso assim”. E aconselhas-me a tentar
remediar a situação para que as pessoas me entendam.
Estás com um tsunami e não tens medo de todas as ondas que este possa
trazer. O bom da coisa é eu saber que vais lá estar sempre. Que não conto
contigo para me dares palmadinhas nas costas ou para me mostrares que o mundo é
cor-de-rosa e que vai ser tudo fácil. Conto contigo para todas as lutas e
guerras que venham aí. Conto contigo para continuares a discutir comigo e a
fazer-me ver quando estou errada. Conto contigo não só como namorado, mas como
amigo.
Hoje sou quem sou graças a ti. Quando tudo começou, eu não era mais do que
uma pessoa bastante danificada. Pontapeada por todos os lados e sem conseguir
fincar o pé. Provavelmente ninguém acredita que me curaste de muitos males.
Podem até achar que esta história parecer-se-á em muito com um filme. Mas é a
verdade. A verdade é que és uma pessoa fantástica e consertas todos aqueles em
cujas vidas tocas. Fazes falta na vida de todos, sem dúvida alguma. Abençoados
são aqueles que te conheceram e que puderam partilhar bons (ou maus) momentos
contigo.
Nunca ninguém poderá dizer que somos perfeitos. Mas ajustámos as nossas
imperfeições e estamos aqui, juntos, de pedra e cal para vencer. Para não
desistir quando todos esperam que o façamos. Contamos com os nossos para isso.
E não contamos com opiniões de segunda categoria.
Parabéns amor da minha vida! Hoje é o teu dia. Espero que o passes feliz,
com aqueles que mais amas. Eu vou estar aí. Estou sempre, mesmo quando não me
vês.
Amo-te mil. Vivo-te sempre.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
sábado, 4 de janeiro de 2014
Férias de Natal
Não actualizei o blogue nos últimos dias pois só estive disponível para a família e os amigos.
Fiz a malinha (que é como quem diz, pois levava 26kg!) e rumei ao Flughafen Schönefeld-Berlin com destino ao Aeroporto da Portela-Lisboa.
Em Lisboa, à minha espera, estavam os de sempre. E os meus padrinhos académicos. Desde já agradeço-lhes o miminho; soube que nem ginjas!
As férias souberam a pouco mas foram muito bem aproveitadas. Se custou imenso voltar? Sem dúvida! Mas dentro de 19 dias, ele já cá está comigo :)
Ahh! E como tinha ficado prometido, levei cervejas para os suspeitos do costume!
MYA,
Mónica
Fiz a malinha (que é como quem diz, pois levava 26kg!) e rumei ao Flughafen Schönefeld-Berlin com destino ao Aeroporto da Portela-Lisboa.
Em Lisboa, à minha espera, estavam os de sempre. E os meus padrinhos académicos. Desde já agradeço-lhes o miminho; soube que nem ginjas!
As férias souberam a pouco mas foram muito bem aproveitadas. Se custou imenso voltar? Sem dúvida! Mas dentro de 19 dias, ele já cá está comigo :)
Ahh! E como tinha ficado prometido, levei cervejas para os suspeitos do costume!
MYA,
Mónica
![]() |
| A maior besta à face da Terra |
![]() |
| Malas feitas: ida para Berlim |
![]() |
| Ida para Berlim |
![]() |
| Eles chamam a isto "Paraíso" |
![]() |
| Baleal |
![]() |
| Charlie |
![]() |
| Mãe |
![]() |
| Pastéis de Nata |
![]() |
| Cartazes à chegada a Lisboa. Obra-prima dos padrinhos |
![]() |
| Ida para Lisboa |
![]() |
| Estação de comboios Berlin-Wannsee |
![]() |
| Flughafen Schönefeld-Berlin à chegada |
![]() |
| A venda do Gil. Salvou-me o sono no avião! |
Subscrever:
Mensagens (Atom)































